Laboratório de Biologia Molecular de Vírus

Os Poxvírus compreendem uma família com características peculiares que os distinguem de outros vírus de genoma DNA. Esses vírus possuem uma morfologia complexa e sítio de replicação citoplasmática. A família Poxviridae está subdividida em duas grandes subfamílias com base no tipo de hospedeiro, As subfamílias estão, por sua vez, subdivididas em gêneros, diferenciados pela presença de antígenos comuns específicos, As relações entre os diferentes poxvírus de um mesmo gênero, já foram demonstradas através de análises imunológicas, dos polipeptídios e, mais recentemente, pelo sequenciamento do genoma. O protótipo da família Poxviridae é o vírus vaccinia (VACV) pertencente à subfamília Chordopoxvirinae, gênero Orthopoxvírus, no qual o vírus da varíola é, clinicamente, o mais importante. A doença já foi erradicada em 1980 graças à campanha de vacinação, utilizando o vírus vaccinia.

    Atualmente, devido à possibilidade de utilização do vírus da varíola como arma biológica, há uma preocupação das autoridades mundiais com o retorno dessa enfermidade. Uma vez que a vacinação antivariólica foi suspensa há 20 anos, mesmo os indivíduos vacinados, certamente, apresentam um baixo nível de proteção imunológica.

    Estudos in vitro e in vivo da replicação e da síntese de RNA e proteínas do vírus vaccinia (VACV). Os processos de síntese de RNA e de proteínas que regulam o ciclo replicativo e a formação de novas partículas (morfogênese) do W é um dos temas de estudo do nosso laboratório. Temos avaliado a transcrição viral em sistemas in vitro e in vivo com o intuito de melhor compreender o papel dos fatores transcricionais viral na síntese de RNA e o seu possível papel no reparo geral e preferencial do DNA do vírus vaccinia. Por microscopia eletrônica, imunofluorescência convencional e confocal, temos estudado a morfogênese das diferentes formas infecciosas do VV e a liberação das partículas virais das células infectadas.

    Poxvírus emergente: análise comparativa de genes do vírus Cantaga/o com a amostra vacinal do VACV-IOC. Vírus Cantagalo (CTGV), um poxvírus emergente isolado de humanos e de bovinos, foi por nós caracterizado como um provável escape da amostra vacinal do vírus vaccinia (VACV-IOC) que, adaptando-se em um hospedeiro selvagem, persistiu na natureza há pelo menos 25 anos. É possível que a replicação em um hospedeiro natural possa ter alterado a virulência e o risco na infecção em individuos "naive". Torna¬se, portanto, de nosso extremo interesse analisar, comparativamente, alguns fatores de virulência nos vírus CTGV e 10C.    

    A avaliação do conjunto de genes de virulência que existem no genoma e são expressos em determinado poxvírus, pode permitir elucidar alguns aspectos sobre a virulência maior ou menor de determinadas espécies e cepas, além de ajudar a compor um quadro sobre as relações filogenéticas entre as amostras analisadas. Nosso objetivo mais amplo visa traçar um perfil de alterações introduzidas nos fatores de virulência de CTGV ao longo dos anos desde sua introdução na Natureza. Esse estudo pretende analisar alguns genes relacionados com a virulência, principalmente envolvidos na indução de apoptose e no bloqueio da via do interferon comparando-os com o de outros poxvírus. Nesse contexto, temos também avaliado comparativamente a resposta dos vírus cantagalo e 10C a drogas antivirais como o Cidofovir, um potente inibidor da replicação viral,

    Dentro da linha de poxvírus emergentes, iniciamos a caracterização do vírus Cotia, um poxvírus isolado no estado de São Paulo em 1967 a partir de camundongos sentinela. Nossos estudos indicam que o vírus Cotia é possivelmente um membro de um gênero ainda não classificado de poxvírus. A caracterização molecular do vírus Cotia indica sua proximidade com os capripoxvírus, suinepoxvírus e leporipoxvírus.

    Interação vírus vaccinia-células hospedeiras: estudo de drogas antivirais e participação de proteínas celulares no ciclo replicativo vlral. A progressão do ciclo replicativo ocorre totalmente no citoplasma celular e é controlada quase que totalmente por fatores codificados pelo vírus, o que confere um caráter quase autônomo de replicação em relação à célula hospedeira. Contudo, a participação de fatores celulares em certas etapas tem sido relatada, ainda que em número bastante reduzido. Trabalhos de nosso grupo sugerem, fortemente, que as ciclofilinas (Cyps) estão envolvidas no ciclo replicativo viral, uma vez que o imunossupressor ciclosporina A (CsA), forte ligador de Cyps e bloqueador de sua atividade isomerase, inibe severamente a replicação do W. Durante a infecção verificamos que a isoforma majoritária CypA é re-Iocalizada para as regiões citoplasmáticas de replicação e montagem do W, chamadas virossomas. Esta re-Iocalização é inibida na presença de CsA. CypA é incorporada nas partículas virais durante o processo de auto montagem e o empacotamento é específico na região denominada core, onde está localizado o genoma viral associado a proteínas. Nosso objetivo maior é tentar entender o papel que CypA e outras Cyps, como CypB e Cyp40, desempenham no ciclo replicativo viral. Além disso, analisamos o potencial antiviral de outras drogas como o Brequinar, Cidofovir e piperina.

 

Equipe

Clarissa Damaso - Chefe de Laboratório

Programa: 
Biologia Molecular e Estrutural
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Chefe do laboratório: