Laboratorio de Imunologia Molecular

O Laboratorio de Imunologia Molecular é um espaço multidisciplinar, no qual três professores docentes desenvolvem linhas de pesquisa independentes em imunologia e inflamação.

 

O Dr. Julio Scharfstein, fundador e chefe do laboratório, é Professor Titular do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Iniciadas na década de 80, as pesquisas em imunologia da Doença de Chagas foram inicialmente motivadas pela necessidade de caracterizar antígenos imunodominantes do Trypanosoma cruzi. A descoberta das propriedades antigênicas da cruzipaína, a principal cisteíno protease do parasita, impulsionou  diversas vertentes de pesquisa sobre estrutura molecular e função desta enzima. Em trabalho pioneiro publicado no início da década de 90, a equipe do Dr. Scharfstein foi a primeira a identificar a cruzipaína como alvo terapêutico em Doença de Chagas. Paralelamente, a equipe investigou o impacto da interação da cruzipaína com inibidores naturais (alfa-2 macroglobulina e cininogênios) sobre o mecanismo de apresentação de antígenos para linfócitos CD4 T humanos. Na virada do século, o interesse pela regulação da função intracelular da cruzipaína levou a descoberta da chagasina, uma nova família de inibidores naturais de cisteíno-proteases, expressas em diversos protozoários. Antes disso, a equipe do Dr. Scharfstein havia documentado que, à semelhança das calicreínas, a cruzipaína  cliva as sequências flanqueadoras de bradicinina nas moléculas de cininogênios. A liberação de cininas pela cruzipaína foi o ponto de partida para estudos realizados desde então, explorando o papel do sistema calicreína-cinina (KKS) na imunopatogênese da Doença de Chagas experimental. Empregando novas abordagens (microscopia intravital), os estudos sobre a dinâmica da inflamação desencadeada por tripomastigotas revelaram que este processo é (i) iniciado pela ativação de sensores de patógenos (e.g.TLR2) (ii) propagado pela  bradicinina. Gerada através de alças de retroalimentação complexas (dependentes da ativação de mastócitos), as cininas (agindo cooperativamente com endotelina e C5a anafilatoxina) exercem efeito dicotômico sobre o balanço de forças entre o parasita e o sistema imunitário. Agindo em prol do T. cruzi, a bradicinina gerada no tecido inflamado  “turbina” a infectividade dos parasitas através da sinalização de receptores (GPCRs) expressos por células cardiovasculares. Em contraposição, a bradicinina promove o desenvolvimento sustentado de linfócitos T (tipo 1) imunoprotetores pelo fato de ativar eus receptores expressos por células dendríticas. Tendo como eixo temático o estudo das alterações microcirculatórias induzidas pelo T. cruzi, a equipe do Dr. Julio Scharfstein atualmente investiga  a influência da ativação de mastócitos e via de contato da coagulação sobre o balanço de forças entre o parasita e o sistema de defesa imunológico.

 

Como professora associada, a Dra. Claudia Farias Benjamim coordena seu grupo no IBCCF desde 2015, entretanto é docente desta Universidade desde 2005 pelo Instituto de Ciências Biomédicas. Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ-1991), mestrado em Química Biológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995) e doutorado em Farmacologia pela Universidade de São Paulo (USP-1999). Ela fez pós-doutorado na USP em 1999-2001, na University of Michigan, Ann Arbor, MI, USA, em 2001-2004 e na Université Pierre et Marie Curie, Paris, França em 2012-2013. Ela é bolsista "Cientista do Nosso Estado (CNE)" e PQ-1D. Tem experiência na área de Imunologia e Farmacologia, com ênfase em Imunofarmacologia celular, atuando principalmente nos seguintes temas: sepse; choque séptico e imunossupressão; fibrose pulmonar; lesão cutânea de difícil cicatrização; migração e ativação celular principalmente de células dendríticas e Tregs; e miosite. Em todas as linhas de pesquisa de seu laboratório, o grupo foca no estudo dos mediadores inflamatórios e na resposta celular como possíveis alvos terapêuticos. Seu impacto na área de inflamação e imunologia pode ser demonstrado pela publicação de 57 artigos indexados, formação concluída de 26 alunos (conclusão de curso, mestrado e doutorado), editora associada de revista científica indexada, ela coordena e organiza um Congresso de Inflamação, mantém financiamento ativo para seus projetos e ministra palestras em Congressos e Institutos. A pesquisadora também atua com atividade didática (fisiologia endócrina) e de extensão.

 

A Dra. Ana Carolina Oliveira possui Mestrado e Doutorado em Microbiologia e Imunologia pela UFRJ e pós-doutorado na Monash University, Melbourne, Austrália (2014). Professora Adjunta do IBCCF desde 2011, tem como interesse central estudar os aspectos imunológicos da interação entre microrganismos e o hospedeiro mamífero, e seu impacto na imunopatologia de doenças infecciosas. Dentro deste grande tema, apresenta duas linhas de pesquisa principais. A primeira estuda a interação entre microbiota, dieta e inflamação no desenvolvimento da peritonite e sepse. Atualmente o grupo busca entender como a fibra da dieta e os produtos do seu metabolismo pela microbiota impactam na inflamação característica da sepse aguda e nos comprometimentos tardios desta doença. Além disso, tem estudado a relação da bactéria simbionte Bacteroides fragilis com o sistema calicreína-canina e como a modulação desta via interfere na manifestação da peritonite experimental. A segunda linha de pesquisa principal da pesquisadora estuda a interrelação entre mecanismos imunológicos inatos durante a infecção pelo protozoário Trypanosoma cruzi e o impacto para a patogênese da miocardite. Dentro deste projeto, o grupo busca entender como vias inatas mediadas pela sinalização por receptores TLR/MyD88, receptores de bradicinina assim como pela citocina IL-18, interferem na resposta de células T, em especial linfócitos T gd, durante a infecção por este protozoário.